quinta-feira, 29 de abril de 2010

A aventura do doutor Jekyll


Em um dia de inspiração o doutor descobriu a novidade quente: uma série de medicamentos misturados conseguiu separar o mal que estava em seu corpo. Podia ser duas pessoas, ele mesmo e uma outra, um malévolo ser. Assim o doutor conseguiria manter sua reputação com suas atitudes impecáveis enquanto sua parte má sairia por aí... a fazer o que o desejo julgasse apropriado. E então o médico teria todas suas vontades satisfeitas, sem pudor e sem ferir sua imagem. Mas o pobre doutor perdeu o controle de sua criação, não conseguiu se manter afastado do ser malvado e sua poção mágica perdeu o efeito. E tarde demais o doutor percebeu que o que havia de especial no preparo fora a soma de impurezas que ele jamais conseguiu juntar novamente. Foi seu triste fim, e mais uma promissora descoberta que se tornou inútil.

Um comentário:

Têmis disse...

Conjecturas: um médico com anos de prática já não tratava seus pacientes com os mesmos carinho e paciência de sempre. Dos antigos e fieis cada dia havia menos. Dos novos, a falta de opção era a principal motivação. Então, um dia alguém resolveu perguntar "o que acontece? porque esse temperamento impaciente e agressivo?". De imediato, respondeu que estava cansado dos pacientes e do seu trabalho e que, naquela altura de sua vida, só pensava em si mesmo e em abandonar seu trabalho. Mas não fez isso ainda por muitos anos - até podia, mas não fez. Após muitos anos, sentindo-se cada vez pior, consigo mesmo e com os outros, pensou sobre o assunto e mudou sua resposta "passei anos fazendo meu melhor para ajudar meus pacientes, mas sempre com muito pouco resultado. aos poucos fui me dando conta de que a principal razão para isso era o fato de que muitas vezes eu parecia ser o único a querer vê-los melhor, pois eles mesmos não demonstravam nenhum interesse pelo próprio bem estar. então, passei a tratá-los tão mal quanto eles tratavam a si mesmos. pelo menos assim, seu fracasso já não me perturbava mais". Jekyll ou Hyde?