domingo, 23 de maio de 2010

A verdade sobre as vacinas


Uma boa velhinha me entregou um panfleto, após um doce sorriso: informações sobre vacina! Ao chegar em casa li o papel que tratava de uma esclarecedora campanha contra as vacinas, com pérolas ingênuas que relacionam a vacina contra tuberculose com osteíte, além de citar vagamente artigos médicos de revistas importantes , sendo o mais atual de 1994. A diante o panfleto informa sobre uma engenhoca que pode ser vendida em um site, claro, existe sempre algo a ser vendido, mas o original é não se vender o livro. Depois fui ao Google e digitei a verdade sobre as vacinas, bom daí nem se fala, um festival de sites correlacionando vacinas como coisa do PT ou PSDB, uma praga como a rifas, uma maldição igual manga com leite, fruto da conspiração dos Estados Unidos, um arsenal que cria doentes para lucros de indústria farmacêutica, e por aí afora. A boa velhinha não era assim, bondosa. Possivelmente algumas dessas pessoas que bradam mantras baseados em dogmas de origem fantasiosa, não saberiam apontar onde fica a vesícula biliar, nem dizer se o cerebelo fica na frente ou fica atrás do cérebro ou a diferença entre um protozoário e um vírus. Mas continuam falando, e semeando um alerta contra algo conspiratório. As vacinações podem trazer alguns efeitos colaterais, mais estes são raros e é muito difícil garantir que exista a relação de eventuais sintomas e vacinação. Nesta medida, dizer que vacinar deveria ser proibido é o mesmo que querer acabar com o futebol por causas de mortes de atletas em durante uma partida.
Mas como contra fatos não há argumentos vamos a estes:
1. O sarampo matou algo estimado em 200.000.000 pessoas no mundo, graças a vacinação o número de mortes causados por esta foi reduzido para 164.000 pessoas em 2008, (Torrey EF and Yolken RH. 2005. Their bugs are worse than their bite. Washington Post, April 3, p. B01, WHO Weekly Epidemiology Record, 4th December 2009 WHO.int)
2. A varíola dizimou a população européia no século XVIII. Estima-se que esta doença matava cerca de 2.000.000 pessoas por ano na década de 60. Graças a vacina, esta moléstia foi erradicada em 1979.( Kanda, N 2001. "Book Review The Eradication of Smallpox: Edward Jenner and The First and Only Eradication of a Human Infectious Disease". Nature Medicine 7 1: 15–6.)

E também é importante mencionar que a vacina contra H1N1 foi testada em pessoas na Europa antes de sua aplicação em massa no Brasil, o que garante sua segurança. Vale reafirmar que a gripe é sim, uma ameaça às pessoas, basta rememorar o estrago que fez a gripe espanhola em um único ano, o de 1918. Como epidemias gripais de tal impacto podem novamente surgir e gerar mortes de muitas pessoas, espalhando um caos quase apocalíptico, é muito bom ter o alento da ciência, que muda a roda da história através do combate às epidemias seja por vacinação, seja por outras medidas preventivas ou de tratamento.
A ciência liberta o pensamento, lembremos que muitos homens morreram para iniciá-la, acreditar em factóides é o retrocesso à eras pré-inquisição.
E não confio em panfletos que vendem engenhocas ou livros revolucionários.- e em tempo: a descoberta da primeira vacina foi revolucionaria.
Dr. Jekyll

sábado, 22 de maio de 2010

O médico-metrossexual.


Não, meu distraído leitor, não quero falar do médico que é um “homem” –preste atenção nas aspas- metrossexual, mas sim de uma entidade biológica médica, o médico- metrossexual. Esta pode ser tanto homem ou mulher, notem bem. Mas gostaria de exemplificar um destes na pele de um bigodudo.
O consultório dele fica no topo de um edifício abarrotado de outros menos importantes. Da sua janela é possível ver por completo o hospital mais importante do estado se não do país, mas é claro, menos importante do que a sua sala. O prestígio de qualquer lugar em que o senhor bigode estivesse dependia apenas dele.
Entre um cliente e outro, o doutor enrolava seu bigode, bronqueava a secretária com a cortesia de um neantherdal, alongava seus músculos precisos e preciosos. E então recebia o paciente, este vinha assustado, sabia da fama do Dr, e de ante mão achava que nele estava sua última esperança de salvação. Suas primeiras palavras depois de “bom dia” e “deixe me ver seu exame” são:
- O seu caso é cirúrgico. Opero a senhora em dois dias, no outro lado da rua.
-? ....
- Mas se interne amanhã.
- e os riscos da cirur...
- Há! A senhora pode morrer, até mesmo se eu operá-la. Mas as chances de morte são de 100% se não operar e 98% se outro mexer- disse enfático- nisso aí.
-Outra forma de tratamento?
-Os mesmos 98%.
Acaba a consulta, a paciente sai perplexa, assustada, triste e desamparada. Mas decidiu ser operada em dois dias.
A cirurgia transcorre na data prevista, enorme: da previsão de 4 horas vai para 9 horas, sangue até no teto, suor sem lágrimas. A paciente recebe alta em 14 dias, sem nenhum problema.
E o doutor volta a enrolar seu bigode, gira a cadeira de um lado para outro, com suas pernas esticadas e suas mãos folgadamente cruzadas em sua nuca. Segue como o senhor da vida sem se preocupar com sentimentos, pois sabe que o que interessa são os sucessos de suas cirurgias, que os ventos entoam para todos os cantos. E a medicina esta em suas mãos, como um instrumento de sua vaidade.
-Próximo!
Senhor Hyde e Dr. Jekyll

quarta-feira, 19 de maio de 2010

porcos sem colesterol


Deu na NET:
Você se acha um glutão? Adora carnes e possui uma admiração pelo sabor da carne suína? Mas os perigos do colesterol alto lhe causam arrepios, e então não come tanta carne quando gostaria? Sua vida poderá mudar em breve.
Cientistas poloneses da Universidade de Łódź liderados pela bióloga Edyzta Kozysra, criaram os primeiros suínos que possuem gordura vegetal, isso mesmo! não se trata de carne suína de baixo colesterol ou triglicerídeos, mas sem nenhum tipo de colesterol e muito menos gordura trans. A pesquisa liderada pela Dra Kozysra, iniciou-se há exatamente 8 anos, quando o grupo de cientistas identificou os genes suínos que sinalizam quando células embrionárias diferenciarão em células que contém gordura. Explica a doutora: “no início da vida embrionária todas as células são iguais, mas com o desenvolver do embrião as células se diferenciam em músculo, cérebro, células de gordura etc. Nós conseguimos identificar os genes que fazem com que as primeiras células gordurosas surjam nos embriões suínos.” Mais anos de pesquisas e a equipe conseguiu silenciar tais genes, ou seja, conseguiu fazer com que eles não mais produzissem proteínas que iriam provocar uma série se eventos que gerariam as células gordurosas e então os porcos nasciam sem gordura nenhuma. Esses porcos não sobreviviam após o nascimento, pois sem gordura nenhuma não havia forma adequada de armazenarem energia suficiente. Após a decepção com a morte dos porcos, a equipe não se abateu e então resolveram mudar os planos. E conseguiram implantar genes produtores de óleo provenientes da planta gira-sol, em células de camadas mais profundas da pele. Mais difícil diz a bióloga, foi conseguir manter o óleo no interior das células e permitir que os porcos conseguissem utilizar o óleo como fonte de energia. Conseguimos tal proeza com implantes de lisossomos modificados. A primeira geração de porcos sem colesterol alcançou um ano e meio, com peso excelente para o abate e carne de ótima qualidade. Mas ainda não é possível a comercialização, pois os tratamentos genéticos encareceram muito a carne, e os métodos utilizados não podem ser empregados em larga escala. No entanto a idéia dos poloneses será melhorada para resolver tais problemas, e em cerca de três anos carne de porco sem colesterol será vendida com preços competitivos.
Senhor Hyde

domingo, 16 de maio de 2010

Tocado pela mão de Deus


Acordo cedo, ainda vítima de alterações cognitivas causadas por sono. Demorarei algo em torno de 1 hora para alcançar o despertar inteiro, ou seja uma hora para não confundir mais a porta do armário do banheiro com um sonho, lavo a cara , vejo as profundezas das olheiras, escovo os dentes, e logo depois percebo o quão ruim é banana após escovar dentes. Pasta de dentes avacalham qualquer paladar. Eu já sabia disso, mas as vezes insisto no erro. Saio do apartamento e chamo o elevador, aperto térreo, mas não era lá o meu destino, corrijo o alvo é o subsolo. No subsolo entro no meu carro dou a partida e risco a porta dele no pilar (mal dito síndico que me deu a pior vaga) , vou rumo ao hospital. Paro em cima da faixa de pedestre enquanto o celular tocava, deveria ser algum caso no pronto-socorro prontinho para eu resolver. Continuo ao destino, um caminhão tampa a minha visão e por isso não percebo que acabo de passar no sinal vermelho, aliás, até percebo, mais algo tarde demais para mim, mas ainda ha tempo do amarelinho me multar. Enfim chego ao hospital.
Visto o meu jaleco, arrumo o crachá, coloco o estetoscópio no pescoço e me transformo, agora sou o doutor, acabo de acordar por completo, eis que mudo de persona.
Começo o dia no pronto-socorro, tiro dúvidas dos plantonistas e impeço que eles façam alguma bobagem, mais a frente eles haviam parcialmente resolvido um caso eu dou a minha opinião e arruíno a conduta.
Subo para a UTI, e lá vem o segundo Round da luta: Medicina X Problema. O intensivista diz que não queria me incomodar, mas que amanhã eu poderia ver um caso e um blábláblá que nas entrelinhas era o seguinte: não sei do que se trata o caso, estou inseguro e possivelmente não se trata de um caso da sua área, mas... Vejo o paciente: Encefalopatia de Wernike, umas vitaminas milagrosas e temos a cura. Sucesso. O outro paciente da UTI, não, não é alguém com AVC, o problema esta na coluna cervical, mande para ressonância de urgência. Vem a ressonância: veredicto hematoma de coluna. Vamos à cirurgia descompresiva.
Vou para os quartos, 2 casos diferentes, mas que dividem a bizarrice como característica em comum, outros especialistas me olham com cara de interrogação para cada caso, e eu devolvo o olhar na mesma medida, como rotina. Aguardo evolução, exames complexos e alguns truques debaixo da manga que funcionariam como última bala na agulha, em vão. Lembro daqueles casos que apresentei em reunião científica em hospital escola, o resultado era invariável: um monte de idéias incongruentes, que apenas aumentavam o ego de quem as propelia, a solução se distanciava a cada frase que criava um pseudo-rumo.
Os pacientes e seus familiares exaustos me olhavam às vezes como que solicitam o último copo de esperança, e eu não derramo sobre eles. Seria bom se Deus me tocasse, e a sabedoria tomasse conta de toda minha fala, todas as palavras medidas pela razão e os gestos infalíveis.
Mas a única coisa que tenho é duvidas. Mantenho-me no centro, de um lado a ciência que insinua ter a resposta, do outro lado a escuridão que devora os homens pela ignorância. E o pulso ainda pulsa …
Dr. Jekyll

quarta-feira, 12 de maio de 2010

As palavras apenas enganam


Geralmente alguém diz em qualquer conflito : olha não foi isso o que queria dizer. Comum, não acham? Pena que quase nunca as conversas são gravadas, se assim fossem, teriamos replay ... E o replay diria que tanto o ouvinte e aquele que falou estariam errados. E sabe por que, filtramos aquilo que interessa e interpretamos a fala de outro através de nossa bagagem intelectual e emocional. Já dizia o famoso filosofo alemão Morituz Blabtreu, em uma discussão o que importa não é a chegar a verdade e sim convencer que seu ponto de vista está correto.
Correto estava eu, aluno de medicina examinando um paciente com doença hepática grave que iria ser submetido a uma cirurgia maior que seu abdome. Correto, pois sabia que o pós operatório seria complicadíssimo, e que talvez o pobre homem não voltaria para a casa. A enfermeira me disse, olha o paciente esta confuso…
E o paciente me disse, confuso é ela. Fiz então o papel do aluno, história da doença,uma interminável lista de perguntas, examinei e percebi que o camarada apresentava vários sinais físicos de insuficiência hepática. Logo, a enfermeira poderia estar correta, fígado mal pode dar confusão- mental (olha a cachaça rapaz!). Fui então verificar o quão a inteligência dele estava preservada, e fiz que ele guardasse 3 palavras em sua memória : vaso carro e janela. Ele as guardou e depois as recordou o que me disse que sua memória estava intacta. Confusão ele não tinha. Fim da minha avaliação, o camarada se vingou, e foi a vez dele perguntar como seria a cirurgia, suas chances ,dor e tudo mais. Percebi que ele estava preocupado e triste.
Foi então que baixou o melhor médico do mundo em mim e falei várias palavras confortantes, de ânimo e alento e o convenci que o que ocorresse na cirurgia seria bom, pois ele era um verdadeiro lutador, etc.. etc… Sai feliz do quarto do homem, o confortei.
A cirurgia foi grande e a convalescência do homem foi tanta que me formei e ele continuou internado.
Já no final da residência o encontro, fico feliz e então? pergunto. Conversamos por um tempo. Na despedida em tom agradecido ele me disse: doutor até hoje me lembro de suas palavras. Eu respondo- puxa não lhe falei que daria certo ? Ele meneou a cabeça, então para minha glória perguntei quais as palavras ele se recordava. O orgulhoso paciente me disse: vaso carro janela.
Dr. Jekyll

domingo, 9 de maio de 2010

A medicina do futuro


Cura do câncer? Vacina contra AIDS? Escolha da cor dos olhos, força e inteligência antes do bebe nascer? Tratamento definitivo contra a doença de Alzheimer? Isso já fora superado há décadas em 2360. Neste ano os desafios da medicina serão outros como especula o doutor Ludiving Von Torquematenistein do Instituto de Futurologia da University of Louisiana at Monroe West em sua crônica literária publicada em um suplemento da revista Neurology Psychiatry Neurosurgery. Aqui eu resumo o texto do respeitado futurólogo, sem erros de tradução:
O doutor Choprey pergunta sério ao Doutor Choprey II: e o caso DG ? Seu filho e seu aprendiz de medicina-mecatrônica, especialidade que já existia há pouco mais de século e meio, disse envergonhado: não sei a solução. Seu pai o fulmina com seu olhar gelado e preciso: - Esta aguardando o quê? Choprey II desaparece nos corredores do hospital e vai atrás da resposta que havia negligenciado.
Mais do que mero filho do dr Choprey, Choprey II era na verdade um clone de seu pai, concebido sem a participação de mulher, gerado em útero artificial. Sexo com fins recreacionais, reprodutivos, amorosos havia saído da prática entre os poderosos, pois era considerado anti-higiênico além de desviar o foco das atividades em prol do desenvolvimento pessoal. Choprey II sabia o significado do olhar do seu pai em que a preocupação e a raiva transbordavam . Preocupação com o futuro do moleque, ou melhor, dos seus genes que desejaria eternizar com Choprey II e nos futuros projetos de Choprey III, IV, V... e raiva ... implantes de chips no cérebro que aumentavam a capacidade de imaginar tridimencionalmente, memória, coordenação motora, pareciam não funcionar tão bem em conjunto e o menino não decolava como aprendiz. As próteses biônicas que criara não funcionavam como as próteses desenvolvidas no outro serviço, e isso era apenas uma das varias falhas do rapaz.
O que havia de errado com Choprey II? Provavelmente a equipe de implantes de chips cerebrais havia errado o local da fixação do material ou outra coisa. Se continuasse falhando, provavelmente seria congelado e talvez fosse re-entregue para o trabalho apenas se os problemas fossem resolvidos. Nesta época já não havia mais residência médica como programa de aprendizado, como em qualquer profissão de 2360 os ofícios eram quase sempre ensinados de pai para filho. Os seres humanos haviam se especializado, a mobilidade social era quase nula, famílias cuidavam de determinados setores e raramente mudavam, mas o conceito de família já não era mais o do passado, o sexo era dispensável para a reprodução e isso mudara tudo nos laços familiares, algumas famílias eram constituídas por clones. Mas a clonagem havia se desenvolvido, com algumas novas técnicas se aperfeiçoavam os frutos gerados. Quanto mais rico fosse o pai (ou mãe) mais e melhores implantes cerebrais poderiam ser implantados, melhores clones seriam produzidos e mais aptos para determinada função seriam os filhos. Mas algo havia saído errado com Choprey II, e ele estremeceu.
Foi de encontro ao quarto em que estava a senhora DG (Dercyhai Gonlvesth) de 230 anos, uma das filhas de uma das pacientes pioneiras do serviço médico de imortalidade. Como a boa prática médica recomendava não entrou no quarto e nem à examinou, acionou o robô que levava a ressonância magnética portátil. Os pacientes não eram mais examinados pelos médicos, havia risco de disseminação das bactérias super-resistentes criadas através de uso indiscriminado de antibióticos. Ressonância portátil fazia o papel. Fluidos líquidos não eram colhidos, através do uso de infravermelhos em extremidades qualquer parâmetro era determinado. A mãe da paciente uma senhora de 270 anos movia seus braços biônicos com raiva, ela aparentava alguém que estava com 25 anos no ano de 2010. Não conversavam, a relação médico paciente se baseava em envio de contratos, consentimentos, relatórios, que eram analisados por advogados de médicos e de pacientes. Ela queria saber o que ocorria com a filha.
Os chips implantados não funcionavam mais na senhora DG. Choprey II : pensou desde a cura da doença de Alzheimer a medicina não se deparava com algo assim, até que as primeiras pessoas que superaram os 230 anos começaram a surgir, eram alguns dos primeiros candidatos a imortalidade. E o mesmo estava ocorrendo com DG , a ressonância mostrava o cérebro havia se consumido e a medicina teria seu desafio, em barrar algo que trazia a morte novamente. Órgãos robóticos, clones de órgãos, pele a prova de rugas, olhos com lunetas eram exemplos do que havia se tornado a medicina, quimioterápicos de nanotecnologia que eram específicos contra células de câncer foram criados. E problemas de saúde eram resolvidos com algoritmos de computadores. O jovem médico não sabia o que fazer, pensou na eutanásia, pois o que restava da vida da DG parecia estar apenas ali para fazê-la sofrer. Eutanásia era sempre recomendada, a morte natural não era aceita pela sociedade. As maquinas estavam tão presentes ao lado dos seres humanos, que era inconcebível morrer sem elas.
Seu pai ligou pelo serviço de telepatia, orientou eutanásia para alívio. E qual o método de eutanásia? Tiro por lazer, gás, pílula? DG não havia tomado a decisão, enquanto podia agora inconsciente era impossível tomar a decisão. Choprey II se envergonhou, a paciente já não mais podia pensar. Choprey II seria congelado assim que seu pai soubesse, pois por sua falta alguém morreria naturalmente em anos...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O imprevisível


Situação:
Médico 1 : -Infelizmente fizemos todos os exames possíveis e não há mais dúvida, nosso medo se confirmou sua mãe tem câncer…muito avançado e irreversível e disseminado.
Família A: -O quê ?! Duvido! Ai de você se algo de ruim acontecer com minha mãe.
Família B: -Bom, eu prefiro mesmo minha madrasta !
Família C:- Ande logo com isso, temos que dividir a herança.
Família D:- Tá bom, mas quando acontecer com meu pai fale com jeito.
Família E: - Deus é que é o médicos dos médicos.
Família F: - O que é possível fazer para reduzir o sofrimento?
Família G:- É maligno?
Mesma Situação:
médico 2: Fizemos todos os exames possíveis... e .... descobrimos um probleminha, olha talvez seja câncer, e ... talvez esteja avançado. Pode ser muito grave.
Família A: - Então ande logo e não deixe nada acontecer com minha mãe.
Família B: - Bom, eu vou para casa da madrasta. Ninguém precisa ficar com a mãe, não é mesmo ?
Família C:- Já dá para interditar os bens?
Família D:- Tá bom, mas quando acontecer com meu pai seja objetivo.
Família E: - Deus vai mostrar que é só um probleminha.
Família F: - Qual o tratamento possível?
Família G:- Vamos levar para casa!

domingo, 2 de maio de 2010

Eis que ela chega impávida


Se pensarmos em longo prazo, não haverá muita dificuldade em prever o futuro de cada um de nos. Mas para alguns enfermos (ou não) esse futuro pode estar muito próximo, perto para meses, dias e eventualmente horas. Para morrer não se precisa de esforço, mas morrer pode ser difícil, pois hoje em dia, nosso último ato pode vir acompanhado de sondas, tubos e uma infinidade de procedimentos que irão atrasar a pragmática natureza, que implora para reciclar tudo o que lhe pertence. E inventiva possa criar nova vida.
A filha me olha, me pergunta isso e aquilo e quer que eu resolva. Já nem sei quantas vezes já expliquei o que acontece. Não há mais espaço para os pulmões, fígado e cérebro. Os pobres órgãos ficaram exprimidos por um tumor malvadinho que acometeu a mãe. Eu a olho e falo algo que sei que ela não entendera, pois ela já montou sua realidade já tem seus dogmas. Fala que a mãe passa mal por causa do analgésico, por causa do antibiótico e nem pela doença E como é o mesmo o nome dela? Câncer.
Mas agora as 24:00 no hospital, depois de eu cruzar a cidade para falar o discurso padronizado (eu também já montei minha realidade), digo tudo para a filha perplexa. Existe uma possibilidade de melhorar a complicação de agora. Mas devido as alergias de sua mãe so há uma possibilidade (eu estava dramático, mas menos do que a situação),
E vai dar certo doutor? –me obrigando a dar resultados, enquanto eu poderia apenas paliar.
Não sei, digo objetivo. O tempo dirá. Se ela tiver uma alergia e morrer, não deu. Se ela responder ao tratamento, deu. (e para mim digo: se der certo adiarei por semanas a inevitável morte, a qual já vejo na janela)
Tudo deu certo e encaminho a doente para mais uma prorrogação. Se a vida dela foi vitoriosa, não serão os próximos dias que mudarão isso.
Senhor Hyde

sábado, 1 de maio de 2010

Doutor House manca!!!


Valeria a pena assistir todos os episódios do seriado House se estes somados não ultrapassassem o número três. A figura grotesca do Dr House faz sucesso, e posso até imaginar a razão: o homem é infalível em diagnosticar e curar. Essa característica o coloca acima dos demais médicos, dos pacientes e da morte. Talvez por isso o doutor não encontre motivo para respeitar quem quer que seja, nem razão para dar palavra de conforto ao doente durante o sofrimento, pois no final do capítulo a doença estará curada e o paciente retornará imortal para sua casa, a despeito do sofrimento imposto pelo frio médico durante todo o período que antecede a cura. Provavelmente este é um dos segredos do sucesso do programa. House até que é um personagem interessante, mas o assunto médico do seriado é extremamente fantasioso, sem correlação com a realidade, e assim o raciocínio clínico contido no programa é cômico, enquanto pretende ser dramático. Sei lá, algo que me lembra a minha infância, como quando deixei de ver desenhos animados por achar absurdo demais as estórias, como por exemplo, o jovem príncipe que muda o bronzeamento e a roupa –e só isso- e ninguém o percebe como a identidade secreta do He-Man. O absurdo torna o seriado uma bobagem.
Mas se há algo que vale a pena de ver o Dr House é : Ele manca! E você nem percebeu a importância disso. E daí que ele manca dirá o meu incrédulo leitor, e eu respondo: o dr dos diagnósticos mirabolantes, dos tratamentos milagrosos é incapaz de se curar. E o redator do programa não fez isso por acaso. Ele se inspirou na mitologia grega, e sabe por quê?
No inicio dos tempos, o centauro Quiron ensinou a Asclépio como curar e diagnosticar, e este último tornou-se o pai da medicina. E Quiron era incapaz de curar sua própria dor, causada por uma flechada em seu joelho (maldito Hércules!). E o seu discípulo Asclépio foi até capaz de ressuscitar mortos. Essa passagem mitológica descreve bem um dos dramas da vida humana especialmente a dos médicos, como bem faziam os gregos. Em certas situações quem dá alívio contra a dor do outro, será incapaz de ter alívio contra o seu próprio sofrimento.
Isso é o que faz achar que ver o seriado valha a pena, mas apenas três capítulos.