sexta-feira, 11 de junho de 2010

médicos 24 horas


São 18:00 mas minha cabeça acredita piamente que se trata ainda da longeva madrugada em suas frias 05:00 horas, insisto em olhar o relógio pela terceira vez empurrando a meia que milagrosamente cobre pela também terceira vez cobre os ponteiros. Levanto da cama e me esquivo da calça que se enrosca no meu pé. Desta vez ela vence e me derruba. Vou beber água fome e comer algo, a última coisa que caiu no estomago, foi...não importa. Na geladeira existe apenas um copo de água com água, sei lá ? Deve ser superstição da empregada, o copo cheio deve ser um símbolo místico. Fecho a porta da geladeira, o frio da um baratinho no meu corpo coberto pela última cueca que habitava o armário. O telefone toca, não o encontro desisto e procuro o telefone da pizzaria nas gavetas. Mas o som da campainha continua berrante de tal forma que chocalho um cérebro embebido em ressaca. Tenho que procura-lo, sábado a noite quem me procura em dia de folga? Seria a dona da saia que cobre o celular enfurecido?
- ALÔ! DR CICLANO!AQUI É A ZIZINHA
-Alô- respondo eu tentando abaixar o volume do celular. Boa noite!
- Que é que é bom para ATM ?
-Nossa? Donde surgiu essa ATM?
E lá vem a aula de anatomia
-Sabe? To com dor na articulação do queixo, o dentista falou que é a ATM. O professor fulano falou que estou com artrite...
-Haa, -cadê o telefone da pizzaria, enquanto meus dedos procuravam propagandas de pizzarias, decido mudar para a comida chinesa.
-O que eu tomo para passar, que eu posso tomar?
- Penso comigo, qualquer antiinflamatório oras! Mas digo, preocupado com o futuro rolinho primavera, mas com tom de voz do consultório : como assim?
-Hoje, dor insuportável.
Dou uma limpada em um copo, o mais fácil de limpar, e encho de água. Tomo com certo desespero e de olho no papel do telefone da comida chinesa?
-Mas dona Zizinha , a senhora nunca teve artrit... -e então me lembro de uma dor que queixara na última consulta em seu punho, havia me enganado ao dizer que estava com tendinite! Por um curto momento esqueço o chinês, e da água. Mas por um curto momento.
-E o senhor sabe que eu confio em você e por isso liguei agora, não é?!
Essa frase verdadeira, fez minha primitiva consciência ironizar minha consciência médica. Estava de cueca mas a paciente me imaginava de avental atrás de um mesa de um belo consultório. Acredito eu que ela sempre me pensa assim, não importa a hora, e em nada.
- Mas, mas, digo eu envergonhado e já degustando o liquido insípido, inodoro e incolor: e como seria esta dor?
-Háh! Dói todo o queixo e o pescoço!
-Olha toma umas gotas de dipirona... o celular havia caído e naquele instante não tinha eu habilidades para beber água, cuidar da propaganda do restaurante japonês (ou seria chinês?) e falar ao telefone ao mesmo tempo.
-Que foi isso Dr?
Ainda bem que o cheiro não passa pelo telefone, - Nada só deixei o telefone cair- com o fio da meada perdido tento fazer alguma pergunta substancial- e o que piora a dor?
-Quando eu ando.
-E onde a dói mais?
-O braço esquerdo .
Então vem a luz: -Corre para o hospital que a senhora esta enfartando!
E estava mesmo.

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