domingo, 27 de junho de 2010

Uma égua na noite.


Tudo começou com uma apendicite supurada. É difícil acreditar, mas um camarada endinheirado quase morreu por causa de uma apendicite complicada. Mas não foi apenas esse tormento que ele passou, se fosse um personagem de videogame, o senhor teria perdido quase todas as vidas de seu estoque de vidas. Mas ele era de carne e osso.
Após a cirurgia do apendicite, numa bela madrugada o nosso personagem acorda confuso e pouco agitado, estaria com abstinência as doses de whisky que abusava quase diariamente? Ou seria efeito de alguns dos analgésicos que estava a tomar? Talvez algum sinal de que algo errado com a cirurgia?
Bom, nosso bom homem levantou confuso na bela madrugada, nem se recordou que não estava em seu lar. Acabou caindo e bateu a cabeça contra o vaso sanitária, teve uma convulsão e apagou. COMA.
Família em desespero chama a enfermagem. A enfermagem em desespero chama o plantonista. O plantonista em desespero chama o neurocirurgião que antes de qualquer coisa solicita uma tomografia da cabeça. A tomografia mostra um sangramento que tem que ser drenado e assim o é, prontamente a cabeça do homem é aberta para o sangue sair fora.
Agora na UTI nosso ilustre homem fica amarelo, era o seu fígado que estava inflamado. Poucos testes foram necessários para concluir que um dos medicamentos causou uma hepatite que quase, por um triz, não o levaram a um transplante hepático.
Livre do transplante hepático, com o seu fígado em recuperação e disposto a encontra uma dose alcoólica mais a frente, nosso rico homem subitamente pára de mover seu braço e sua perna destros. Estava também com febre. A causa da paralisia ficou provada: faltou sangue na parte do cérebro que comandava todo o lado porque um acúmulo de bactérias vindas de uma infecção cardíaca atingiu o cérebro. A tal infecção é chamada de endocardite bacteriana.
Até que a trovoada foi passando, e nosso querido já conseguia caminhar sem ajuda assim com quase não possuía mais redução de forca. Mas passou a dizer que sua esposa não era sua esposa e sim alguém disfarçada e que queria trazer algum mal a ele. Esta é a famosa síndrome de Capgras. E sempre que eu entrava no seu quarto ele me dizia inconformado: como um hospital bacana poderia permitir que éguas caminhassem pelo corredor. Também dizia que sua ex-noiva havia se infiltrado no corpo de enfermagem e queria lhe seduzir! Sua esposa chorava com medo destas loucuras.
Meses depois o homem retorna em meu consultório, melhor e novamente assumiu a direção de sua empresa e nem mais dá balão. Reconhece sua esposa como tal, nem quer saber de sua ex-noiva. Mas ainda continua inconformado com as éguas que andavam pelo corredor e nem entende porque razão alguém havia trazido tais animais para o hospital.

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